O preço do ouro recuou face ao máximo de vários meses atingido na sessão anterior, quando ficou muito próximo dos 4.700 dólares. A procura pelo metal precioso tem aumentado desde que o Tesouro norte-americano lançou medidas destinadas a estabilizar o mercado obrigacionista, através do reforço das compras de títulos de dívida de longo prazo. Como resultado, as yields dos títulos do Tesouro caíram, reduzindo o custo de oportunidade associado à detenção de ouro, um ativo que não gera rendimento. Ao mesmo tempo, o conflito entre os Estados Unidos e o Irão parece estar a entrar numa nova fase, com o confronto militar a dar lugar à pressão económica. Até ao momento, os mercados financeiros têm reagido favoravelmente a esta evolução, que contribuiu para a descida dos preços do petróleo e para o abrandamento dos receios inflacionistas, levando também a uma redução das apostas numa subida das taxas de juro pela Reserva Federal ainda este ano. Esta dinâmica tem mantido o dólar norte-americano sob pressão face às restantes principais moedas, aumentando a atratividade do ouro para os compradores que utilizam outras divisas. Perante este cenário, os investidores estarão particularmente atentos à divulgação dos dados da inflação PCE nos Estados Unidos, prevista para mais tarde durante o dia. O PCE é a medida de inflação preferida da Reserva Federal, pelo que uma leitura surpreendente poderá alterar as expectativas relativamente à trajetória das taxas de juro do banco central. Um valor acima do esperado poderá fortalecer o dólar e pressionar o ouro, enquanto uma leitura inferior às expectativas terá, provavelmente, o efeito contrário, criando maior potencial de valorização para o metal precioso.
Ricardo Evangelista – ActivTrades

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