Os preços do ouro continuam sob pressão, à medida que os investidores avaliam as implicações da persistência dos preços elevados do petróleo para a inflação e para a política monetária norte-americana. Os custos elevados da energia estão a reforçar os receios de que a inflação possa permanecer acima das metas dos bancos centrais durante mais tempo do que o anteriormente previsto, alimentando as expectativas de manutenção de políticas monetárias restritivas. Este cenário está a sustentar o dólar e a manter elevadas as yields das obrigações do Tesouro norte-americano, tornando o ouro mais caro para compradores que usem outras divisas que não o dólar, e aumentando o custo de oportunidade de deter o metal precioso. A ligeira recuperação nos preços registada na segunda-feira, após a queda de sexta-feira para mínimos de três meses, proporcionou algum alívio, beneficiando de um recuo dos preços do petróleo. No entanto, as perspetivas gerais continuam a ser desafiantes, com os investidores cada vez mais preocupados com a possibilidade de a persistência das pressões inflacionistas adiar uma eventual flexibilização da política monetária. As atenções estão agora centradas na decisão da Reserva Federal sobre as taxas de juro, prevista para quarta-feira, e na divulgação, na quinta-feira, dos dados da inflação norte-americana medidos pelo índice de preços das despesas de consumo pessoal, que poderão fornecer novas indicações sobre a trajetória futura das taxas de juro. Apesar destes fatores negativos, o ouro continua a beneficiar da procura por ativos de refúgio, num contexto de incerteza geopolítica, particularmente devido ao conflito em curso no Médio Oriente. Os receios inflacionistas poderão também sustentar a procura pelo metal precioso enquanto instrumento de proteção contra a perda de poder de compra, ao passo que as compras por parte dos bancos centrais constituem um fator adicional de suporte. Ainda assim, na ausência de uma moderação significativa das expectativas de inflação, acompanhada por uma descida das yields das obrigações do Tesouro norte-americano e por um enfraquecimento do dólar, o potencial para uma recuperação sustentada dos preços do ouro deverá permanecer limitado.
Ricardo Evangelista – ActivTrades

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